Casos de ataques de onça-pintada em áreas rurais aumentam preocupação no Paraná

Foto: Catve

Segundo bióloga do IAT, falta de recursos naturais faz felinos buscarem alimento perto de moradores

O aumento dos casos e flagras de grandes felinos em áreas rurais do Paraná está diretamente ligado à ocupação humana e à redução dos habitats naturais desses animais. O alerta é da bióloga Nathalia Colombo, da Diretoria de Patrimônio Natural do Instituto Água e Terra (IAT).

Segundo a especialista, a fragmentação das áreas naturais faz com que animais como onças-pardas e outros grandes felinos passem a buscar alimento em propriedades rurais.

"O aumento da ocupação humana e da fragmentação dos habitats influenciam diretamente nesse maior número de avistamentos. Esses animais acabam sem recursos nos ambientes naturais e recorrem aos animais de criação para obter alimentação", explicou.

A bióloga destaca que o aumento dos registros não significa necessariamente crescimento da população desses animais. "Na verdade, está faltando recurso natural para eles. Por isso acabam recorrendo ao meio antrópico", afirmou.

Nos últimos dias, ataques de grandes felinos em propriedades rurais voltaram a chamar atenção no Paraná, principalmente após a morte de dezenas de ovelhas em uma propriedade em Assis Chateaubriand.

Vídeo: onça ataca e 34 ovelhas morrem no Paraná

Entre as orientações do IAT para evitar a aproximação dos felinos estão:

instalação de cercas elétricas;

iluminação em áreas rurais;

uso de rojões para gerar barulho e afastar os felinos;

ter cães na propriedade.

Outra recomendação importante é manter animais de criação em apriscos totalmente fechados durante a noite. "O ideal é que esses locais sejam completamente fechados, sem possibilidade de entrada dos felinos, principalmente em casos de animais em maternidade, que ficam mais vulneráveis", explicou.

A especialista também orienta sobre como agir em caso de encontro com um grande felino. "A recomendação é nunca correr. O correto é se afastar lentamente, dar passos para trás, levantar os braços para parecer maior e fazer barulho", afirmou. Caso haja crianças pequenas no local, a orientação é pegá-las no colo imediatamente.

Quando há denúncias de ataques ou avistamentos, equipes técnicas do instituto realizam visitas para verificar se realmente se trata de um grande felino. "Procuramos pegadas, marcas de unhas, restos de pelos e outros vestígios típicos para confirmar qual animal esteve no local", detalhou.

Após a análise, o IAT orienta os proprietários sobre medidas de segurança para proteger tanto os animais de criação quanto as pessoas que frequentam a área rural.


Fonte: Catve